Por que devemos nos preocupar com a qualidade do ar nas escolas?

Você sabia que quase 1 em cada 13 crianças em idade escolar tem asma? Esta é a principal causa de absenteísmo escolar devido a doenças crônicas.

Há evidências substanciais de que a exposição ambiental interna a alérgenos (como ácaros e fungos) desempenha um papel no desencadeamento dos sintomas da asma. Esses alérgenos são muito comuns nas escolas. 

Outro fator que prejudica o sistema respiratório das crianças em idade escolar é a exposição ao escapamento de diesel de ônibus escolares e outros veículos, que agrava a asma e as alergias.

Já quanto aos problemas de ar interno, nem sempre produzem impactos facilmente reconhecidos na saúde, no bem-estar e no desempenho escolar da criança.

Mas eles existem sim, e são significativos. Os sintomas mais comuns incluem dores de cabeça, fadiga, falta de ar, congestão dos seios da face, tosse, espirros, tonturas, náuseas e irritação dos olhos, nariz, garganta e pele.

Importante esclarecer que esses sintomas também podem ser causados ​​por outros fatores, como iluminação insuficiente, estresse, ruído e muito mais. Portanto, há que se verificar a salubridade das salas de aula em muitos aspectos: qualidade do ar interno, luminosidade, isolamento acústico, dentre outros.

Outra consequência do consumo de ar de baixa qualidade é a queda no desempenho cognitivo. Se estamos falando de escolas, este deveria ser o último local no mundo com baixa qualidade do ar.

Já foram realizados inúmeros testes científicos sérios acerca da relação entre cognição e qualidade do ar, o mais recente liderado pela Universidade de Harvard, que mencionamos neste post aqui.

Crianças são mais suscetíveis

Sabe-se que devido às sensibilidades variáveis ​​entre os ocupantes da escola, os problemas de QAI podem afetar cada pessoa de maneiras diferentes.

Mas sabe-se também que os corpos em desenvolvimento das crianças podem ser mais suscetíveis a exposições ambientais do que os dos adultos. As crianças respiram mais, comem mais alimentos e bebem mais líquidos em proporção ao seu peso corporal do que os adultos. 

Portanto a qualidade do ar nas escolas é uma preocupação mais que genuína. 

A manutenção adequada da qualidade do ar interno, neste caso, engloba a segurança e o própria missão de uma escola: o desenvolvimento cognitivo e a formação de seres críticos e conscientes.

Exemplos internacionais

Em fevereiro de 2020, mesmo antes da eclosão da pandemia por coronavírus nos Estados Unidos, o senador norte americano Cory Booker e a deputada Katherine Clark apresentaram um projeto chamado “Clean Air, Sharp Minds” que visa fornecer $ 20 milhões em subsídios para as escolas instalarem tecnologias para a qualidade do ar interno, avaliando seu impacto na aprendizagem.

O Canadá também vem discutindo este assunto há alguns anos. No início de novembro, um coletivo de médicos e cientistas divulgou um estudo não oficial realizado nas escolas da área de Montreal, que mostrou que 75 por cento das salas de aula apresentaram problemas de ventilação significativos e níveis de dióxido de carbono acima dos níveis aceitáveis, o que poderia favorecer a transmissão de COVID-19.

Em seguida, em um comunicado à imprensa, o ministério da educação canadense anunciou que testes adicionais para medir os níveis de dióxido de carbono nas salas de aula seriam realizados a partir de 1º de dezembro para garantir que os padrões atuais sejam cumpridos.

Conclusão

Se antes a qualidade do ar dentro das escolas não costumava ser muito discutida, a pandemia de Covid-19 veio para mudar a situação, ampliando a ressonância dessa problemática.

A medição e o controle da qualidade do ar interno, através da implementação de filtros e tecnologias avançadas de descontaminação do ar como a Ionização Rádio Catalítica se fazem cada vez mais necessárias e urgentes em um mundo que conhece cada vez mais os impactos negativos da poluição sobre a cognição. Um mundo que, provavelmente, deverá aprender a conviver com o surgimento de eventuais epidemias e pandemias.