Como a qualidade do ar interior pode gerar mais confiança no ambiente corporativo

Até recentemente, muito poucas empresas ou organizações mediam a qualidade do ar em ambientes fechados. A maioria das pessoas sempre presumiu que a qualidade do ar interno fosse melhor do que a do ar externo, pois equivocadamente imaginavam que o ar externo não pode entrar no edifício. 

Mas muitos escritórios, principalmente em cidades como São Paulo, fazem uso de sistemas de ar condicionado que puxam o ar de fora. Se você não tem uma boa ventilação, a poluição geralmente vai ficar e se acumular lá dentro. 

Há cerca de sete anos anos, houve na China o chamado “airpocalypse” com níveis de MP 2.5 acima de 500, ou seja, 35 vezes mais que o limite recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Nós aqui no Brasil acompanhamos esse fenômeno através das notícias que traziam imagens assustadoras de nevoeiros intensos que se espalhavam entre os arranha-céus chineses, barrando a luz do sol e produzindo cenas dignas do fim dos tempos.

À época, muitos funcionários chineses se negaram a comparecer aos escritórios porque diziam não haver nada que os protegesse do acúmulo de poluição dentro dos edifícios. Era mais saudável ficar em casa, onde cada um tinha o seu próprio controle da qualidade do ar interno.

Podemos fazer um paralelo dessa crise asiática com o que vem ocorrendo no mundo hoje em função da pandemia por coronavírus. As pessoas não se sentem completamente seguras em seus ambientes de trabalho e preferem trabalhar de casa.

Porém, nem todas as atividades podem ser exercidas ou se beneficiam do home office. Além daquelas profissões impossíveis de serem praticadas à distância, o trabalho em conjunto tem uma importância enorme em muitos setores.

Ou seja, existe uma forte necessidade de se oferecer ambientes de trabalho mais seguros do ponto de vista microbiológico, que inspirem mais confiança nos colaboradores.

Nesse sentido, a crise de poluição asiática culminou em medidas que prometem ser adotadas no mundo todo. O que se vê por lá hoje são empresas que colocaram à disposição de todos, em lugar de destaque, displays sobre a qualidade do ar dentro de seus escritórios, mostrando aos trabalhadores e visitantes que eles estão entrando em um local saudável. Estudos mostram que medidas dessa natureza culminaram em uma diminuição de até 30% do absenteísmo.

Por aqui, podemos perceber nos últimos seis meses um foco muito maior em questões como ventilação e filtragem. As pessoas se tornaram muito mais conscientes sobre o que está no ar que elas respiram. 

Um estudo realizado pelo Instituto Locomotiva entrevistou cerca de 2.157 consumidores de todo o Brasil, onde 90% afirmaram que quanto mais os estabelecimentos cuidarem da desinfecção, mais confiança eles terão para voltar a frequentá-los.

“Cada vez mais as pessoas cobram as empresas em temas como: diversidade, meio ambiente e sustentabilidade. Agora, elas vão começar a questionar as empresas sobre a desinfecção também”, diz Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

Quanto maior for a consciência coletiva sobre isso, maior será a demanda por ações concretas.