A Pandemia e a Qualidade do Ar

*artigo publicado no Diário do ABC

Bill Gates disse recentemente que é muito difícil dizer às pessoas: ‘Ei, vá a restaurantes, compre casas novas, ignore a pilha de corpos ali no canto. Queremos que você siga gastando, porque o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) é o que importa’.

Há tempos, bem antes da pandemia da Covid-19, o empresário brasileiro se esforça para cumprir as suas obrigações e matar um leão por dia. Nos últimos anos, a crise econômica tem agravado quadro que já é bastante desafiador para quem busca empreender.

Dificuldades como o acesso ao crédito, alta carga tributária, impostos sobre a produção, a burocracia inerente ao sistema, entre outras,tornam o empreendedor desbravador neste País.

Neste momento, a pandemia agrava quadro que tem se traduzido, muitas vezes, em redução, enxugamento e retenção dentro das empresas. Como encarar mais esse desafio – como pessoa física e como pessoa jurídica?

Em primeiro lugar, estando saudável. Muitos apontam que a paralisação de atividades e o isolamento físico geram impacto econômico ainda mais letal que o vírus. Mas para que possamos retornar às atividades adequadamente é necessário seguirmos novas normas de segurança e, sobretudo, manter a atenção à qualidade do ar.

Há quase 15 anos à frente de atividades voltadas à qualidade do ar em edificações, posso dizer que o monitoramento do ar interno sempre foi tema secundário no escopo de gestão de edificações e hoje é praticamente o protagonista. Para garantir retorno seguro às atividades, os profissionais de saúde ocupacional estão totalmente atentos ao tema.

A pandemia promoveu mudança no mindset (modelo mental) das pessoas e cuidado com a qualidade do ar faz parte, hoje, de nova cultura mundial. Isso não é questão de apreensão, pois o mercado disponibiliza tecnologias apropriadas para a descontaminação de fungos, bactérias ou vírus, tanto no ar quanto nas superfícies.

Entre essas tecnologias, podemos listar a luz ultravioleta, para a descontaminação de serpentina; a fotocatálise, para descontaminação de dutos e ambientes (inclusive com excelentes resultados para vírus com as mesmas características da Covid-19); e o ozônio, para descontaminação de ambientes desocupados e das caixas de ventilação para melhor circulação do ar.

O impacto da pandemia na economia e nos negócios é indiscutível, mas o nosso retorno às atividades depende da segurança que criaremos no ambiente em que passamos a maior parte de nosso tempo.

Henrique Cury é integrante do Qualindoor (Abrava), do comitê de qualidade ambiental do Green Building Council Brasil e do comitê 5 da Faiar (Federación Iberoamericana de Calidad de Aire Interior) e diretor geral da Ecoquest.